São José do Rio Preto, assim como tantas outras cidades, teve sua fundação ligada a fé, com a doação de terras a São José, por Luís Antônio da Silveira. Historiadores apontam que a construção da primeira capela dedicada ao santo foi determinada em 1852, sendo consagrada em 1854. Em 1857 foi oficialmente instituída como capela. A criação da Paróquia de São José, quando foi concedida sua provisão, se deu em 1882. A edificação que era de pau-a-pique, passou por várias reformas até que, em 1912 foi demolida para que fosse levantada a primeira igreja, sendo que o exterior foi concluído em 1931 e o interior no ano seguinte.
Em 1929, Rio Preto é elevada a Diocese, e a Matriz de São José se torna Catedral. Dom Lafayette Libânio assumiu o bispado em 1931. Anos mais tarde, em 1973, quando o bispo era Dom José de Aquino Pereira, iniciou-se a demolição da igreja, pois desejava-se dar um templo novo à sede da Diocese. Na época houve muita comoção de vários segmentos da sociedade, para evitar a demolição, mas o projeto seguiu. O padre Santo Marini foi o escolhido para coordenar a obra, e assim o fez até 1977, quando sofreu um enfarto e morreu. A Catedral que conhecemos hoje começou a funcionar em 1979, ainda que as obras não tivessem concluídas.
Agora, um novo capítulo está sendo escrito: a revitalização do espaço, que deve ganhar uma torre, prevista no projeto inicial de 1973, o qual foi modificado após a morte do padre Marini. Uma imagem de São José provavelmente ocupará uma parte da torre, mas esse detalhe ainda não está definido.
“Como sabemos, pela história de nossa cidade, os fundadores realizaram a doação do patrimônio a São José. Portanto, a cidade nasceu, cresceu e se desenvolveu em torno da igreja matriz de São José que, no dia 25 de janeiro de 1929, com a criação da Diocese de São José do Rio Preto, recebeu o título de Catedral de São José. E agora, no dia 22 de maio de 2025, com a criação de nossa arquidiocese, recebeu o título de Catedral Metropolitana”, destaca o padre Deusdet Aparecido Zanfolim, responsável pela Catedral.
Ele também explica sobre a revitalização do espaço religioso. “Estamos promovendo a revitalização de nossa Catedral Metropolitana em preparação para o centenário de nossa ‘diocese’ em 2029. O projeto está pronto e o processo sendo acompanhado por uma comissão arquidiocesana, nomeada pelo nosso arcebispo, Dom Vilar. A colaboração que estamos pedindo a todos é de suma importância. A ‘empreitada’ é de toda a comunidade católica arquidiocesana, que enxerga sua igreja-mãe como ponto de referência para a vida e a caminhada de fé e da história dessa cidade”, conclui.
Catedral
Quando se entende um pouco a história da cidade, fica evidente que a Catedral de São José não é apenas um centro religioso, mas o marco zero da identidade rio-pretense. Vale esclarecer que é denominada Catedral a igreja que abriga a cadeira do bispo/arcebispo, chamada de cátedra, que é um símbolo da sua autoridade religiosa. Já o termo igreja-mãe se dá por ser a primeira, a que deu origem as outras.
“A Catedral e a história de São José do Rio Preto se encontram ao longo dos anos. A ‘Igreja- Mãe’ da Arquidiocese foi capela, alcançou o posto de paróquia quando ainda estava ligada a São Carlos, foi elevada à condição de Catedral em 1929 e, agora, é referência religiosa para toda a metrópole. Nós trazemos a nossa Catedral com muito carinho. Nela celebramos a vida da Igreja. A partir dela tantos indicativos bonitos alcançam as diversas paróquias dispostas no Noroeste Paulista. A Catedral é sinal de unidade. Por essa razão assumimos o processo de revitalização como meta permanente. Queremos que ela esteja bem preparada para o centenário de criação da Diocese, em 2029. Logo daremos um passo importante e que completará o projeto original: a construção da torre. Será um sinal de fé que colocará, ainda mais, a Catedral como marco na cidade”, pontua Dom Antonio Emidio Vilar, arcebispo metropolitano de São José do Rio Preto.
Retratos de fé
A lenda do “Pássaro Azul” é uma das marcas de fé dos desbravadores que deram início a cidade. Certo dia, depois de muitas caminhadas entre os córregos Borá e Piedade, os exploradores se perderam, não conseguindo voltar ao acampamento e nem ter acesso a comida. Então fizeram uma promessa, onde Luiz Antônio prometeu terras a São José, e os outros prometeram a Nossa Senhora do Carmo e a São Vicente Ferrer.
Após a oração surgiu um pássaro de plumagem azul vibrante, que começou a saltitar e cantar chamando a atenção deles, que começaram a segui-lo pela mata, até que reencontraram o caminho de volta e, então, o pássaro desapareceu. O terreno foi doado e a história imortalizada em painéis do artista plástico Antônio Hudson Buck, que ficam ao fundo do presbitério.
Cripta, ossário e vitrais
A cripta possui um altar próprio e abriga trabalhos em alto relevo de Miguelavo, do Ceará. O espaço tem importância histórica para a memória da cidade. “Na cripta temos enterrados o primeiro bispo, Dom Lafayette Libânio que, inclusive, fez a promessa para que as consequências da Revolução Constitucionalista de 1932 não alcançassem a cidade e, como pagamento dessa promessa, construiu a Basílica. Também está ali Dom José de Aquino Pereira, que foi o segundo bispo, os outros seguem vivos. Uma curiosidade é que, na cripta reservada aos bispos, tem um padre enterrado, Santo Marini, designado como construtor da Catedral, que morreu durante a construção. É uma forma de reconhecimento pelos seus esforços, ele estar enterrado ali”, explica André Botelho, assessor de comunicação da Arquidiocese.
O ossário tem capacidade para mais de cinco mil urnas, e a venda dos espaços ajudou na construção da atual Catedral. Os marcantes vitrais da igreja são mosaicos que filtram a luz natural para criar uma atmosfera de introspecção, e trazem passagens bíblicas e a vida de São José. Durante o dia, conforme a posição do sol, o interior da igreja muda de cor, proporcionando um espetáculo visual que destaca as linhas sóbrias do concreto.
A antiga Catedral
A Catedral atualmente vista de cima
Projeto de revitalização da Catedral
Cripta abriga trabalhos em alto relevo de Miguelavo, do Ceará
Painel de Antônio Hudson Buck que retrata a lenda do Pássaro Azul
A casa de São José: de capela a Catedral Metropolitana
Com informações de Gazeta de Rio Preto


