Vereadores da Comissão de Defesa da Cidadania da Câmara de Rio Preto cobraram explicações da Prefeitura sobre o gasto de R$ 63,8 mil com a restauração da escultura “Dona Capi”, instalada na Represa Municipal. A obra, uma capivara de grande porte, havia sido doada ao município em novembro do ano passado, mas passou por intervenções poucos meses depois.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Mário Welber, foi convocado para prestar esclarecimentos na Câmara na segunda-feira (30), mas não compareceu. Em ofício, ele questionou a competência da comissão para tratar do tema. Diante da ausência, os vereadores decidiram ir até a secretaria para ouvi-lo diretamente.
Participaram da diligência os vereadores João Paulo Rillo (PT), Pedro Roberto (Republicanos), Nenê da Zona Norte (PSB) e Alexandre Montenegro (PL). No local, o secretário afirmou que os reparos foram necessários após atos de vandalismo e uso indevido da escultura, como pessoas subindo na estrutura e até realizando manobras de skate.
“Foi preciso fazer reforço estrutural. Caso contrário, a cabeça da capivara poderia ter quebrado”, justificou.
Apesar das explicações, os parlamentares disseram não ter ficado convencidos e solicitaram uma série de documentos, como o termo de doação da obra, orçamentos e informações sobre eventual consulta a outros artistas antes da escolha da peça, criada por Fernando Fachini, que também integra a empresa contratada para a reforma, realizada por dispensa de licitação.
Confusão e troca de acusações
A visita terminou em confusão. Vereadores afirmam que foram chamados de “vagabundos” por um assessor da secretaria, o que teria motivado a intervenção da Guarda Civil Municipal. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Rillo e Montenegro relatam a situação.
“Não só não explicaram nada, como um assessor partiu para ofensas ao ser confrontado com os questionamentos”, afirmou Rillo. Nas imagens, é possível ouvir o assessor dizendo “vai trabalhar, vagabundo”, ao que o vereador reage com novas ofensas.
Prefeitura diz que vereadores têm direito de fiscalizar
Em nota, a Prefeitura afirmou que os vereadores “estão no direito deles” ao realizar a fiscalização e garantiu que responderá aos questionamentos “com clareza e tranquilidade”.
Rillo informou que deve acionar o presidente da Câmara, Luciano Julião (PL), para que o secretário atenda formalmente à convocação da comissão.
O caso segue em análise pelos parlamentares, que apuram a legalidade da contratação e a necessidade dos gastos poucos meses após a doação da obra.
Cobrança de explicações sobre gastos com escultura termina em confusão
Com informações de Gazeta de Rio Preto



