Um relatório de Compliance Administrativo elaborado durante a intervenção na Santa Casa de Misericórdia de Neves Paulista revelou um quadro de problemas financeiro e má gestão que quase levou ao fechamento da unidade. O documento mostra que a instituição acumulava um rombo superior a R$ 6 milhões.
A intervenção da Santa Casa foi decretada em 21 de agosto de 2025, pelo prefeito Kiko Rossali (PL) após parecer da Procuradoria-Geral do Município alertar para um “colapso administrativo” iminente. Segundo o relatório, a gestão da Santa Casa atuava em situação de insolvência e expunha diretamente a segurança dos pacientes.
Entre janeiro de 2024 e julho de 2025, a Prefeitura de Neves Paulista repassou cerca de R$ 9 milhões ao hospital. No entanto, durante um ano e sete meses, não houve prestação de contas detalhada sobre a utilização desses recursos. A auditoria confirmou ainda um passivo fiscal superior a R$ 5,9 milhões, classificado como uma “dívida oculta”.
O documento descreve práticas consideradas “amadoras e de alto risco”. Compras de medicamentos e insumos eram feitas sem planejamento técnico, apenas por avaliação visual. Não havia processos formais de cotação ou licitação, nem contratos com prestadores de serviços essenciais. Além disso, faltava controle de estoque para garantir que os produtos pagos fossem efetivamente entregues, o que gerava desperdício e risco ao atendimento médico.
Em outro ponto, o relatório destaca que a precariedade da gestão também atingia os funcionários. Os dados apontam a existência de várias ações trabalhistas, falta de pagamento de férias, ausência de recolhimento de FGTS e verbas rescisórias em atraso. Apesar das notificações sobre irregularidades, a diretoria da entidade não apresentou respostas ou medidas corretivas.
Diante da situação, a Prefeitura considerou a intervenção a única alternativa para impedir a paralisação completa do hospital. “O risco iminente de colapso do único hospital do município poderia deixar a população desassistida”, registra o relatório.
O caso agora segue para análise da comissão de apuração da intervenção, que deve encaminhar as conclusões às autoridades competentes para investigação e eventual responsabilização civil e criminal dos envolvidos.
Relatório aponta rombo de R$ 6 milhões em contas da Santa Casa de Neves Paulista
Com informações de Gazeta de Rio Preto


